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As crianças como consumidores

Quais os mecanismos de socialização das crianças enquanto consumidoras? Qual o uso e o entendimento que têm face ao dinheiro? Como é que a criança é influenciada pela publicidade? Quais as formas de proteger os jovens para venham a dispor de um desenvolvimento harmonioso no seu processo de autonomização e não sejam tratados como objectos de consumo?

As respostas possuem hoje uma certa evidência incontestável. O mercado infanto-juvenil é uma singularidade decorrente de alteração da estrutura familiar do pós-guerra quando as crianças passaram a dispor de um poder aquisitivo para comprar produtos para si próprias e a influenciar as decisões de compras domésticas. O papel dos pais, a natureza das conversas com os familiares, em colocação de hábitos e os valores predominantes da cultura, têm um peso de excepcional importância. Se até aos 7 anos os comportamentos parentais e a consulta do grupo de amigos têm um peso predominante, a partir dos 9-10 anos a criança ganha um conhecimento elementar dos processos do mercado, e é este poder selectivo que ainda hoje intriga os fabricantes e os estrategas da sedução. Sabe-se que na adolescência se reduz o papel prescritor da família nas opções de consumo, e por esse motivo os investigadores procuram conhecer os produtos e as situações que facilitam a entidade ao jovem consumidor. Por exemplo, em que circunstâncias o jovem faz compras sozinho ou acompanhado, como se sente fidelizado à marca ou como é que se relaciona com o dinheiro?

Independentemente de certezas ou perplexidades e de haver consenso quanto à educação do consumidor dever sugerir a responsabilização da orientação parental e saber-se descodificar as mensagens publicitárias, as crianças têm vulnerabilidades específicas que são encaradas pelo Código da Publicidade, isto a par de práticas mais severas praticadas por este ou aquele Estado-Membro da União Europeia e neste momento não se excluem medidas mais severas quanto à publicidade televisiva destina a crianças, tudo fruto do novo quadro de obesidade infantil, de indiscutível gravidade, para o qual não se pode iludir quer os estilos de vida quer o lixo alimentar que as crianças ingurgitam.

Outra realidade que ganha crescente influência é a procura de um ponto de equilíbrio entre a educação do consumidor e a educação para os media. Porque as crianças e os jovens não só um alvo dos fabricantes, são igualmente utilizados para transmitir mensagens, eles próprios frequentam os novos media que levantam novos problemas aos educadores (caso do telemóvel da internet e jogos de vídeo) e que tem a ver com novas atitudes para o consumo. Isto para sublinhar que as novas tecnologias, o modo como o fluxo de imagens submerge a criança, razão pela qual a criança deve estar preparada para as seleccionar ou preparar-se para a visão de um mundo que elas proporcionam, como evitar os sites pornográficos e qual o impacto da publicidade na internet sobre as crianças, são assuntos que interessam à comunidade educativa e à educação do consumidor. Par o melhor e para o pior o digital e os mundos virtuais, a condição de internauta, vieram para durar. Há que saber encontrar a articulação mais harmoniosa entre os media clássicos e os novos, a responsabilidade parental e a educação do consumidor.

Um desafio que, por ora, ainda não encontrou a resposta mais satisfatória.

 


 

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